9 de jul de 2010

Devaneio

Não aguento mais essa rotina repetitiva na minha vida, nada de interessante acontece. E quando parece que vai acontecer, algo muda de rumo e se perde no silêncio do vento e me perco. Não sei mais pra onde ir, não consigo te enxergar e não respiro mais. Tudo parece ficar mais escuro e sombrio, agora minha rotina virou uma busca para voltar ao passado e concertar os erros cometidos. Porque estou sem fôlego e sem ideias para te enfrentar. Não quero causar uma batalha, mas eu sei que preciso mudar, tenho que mudar. Não quero ficar nessa mesmice. Eu me perdi no passado, e agora eu tenho que me reencontrar novamente, e ver a pessoa que me tornei. O adulto que existe dentro de mim, se é que existe.
Não posso me redefinir ainda, tenho que me conhecer. Pra isso terei que acompanhar minha vida mais por perto.Quero guiá-la para um lugar distante do povoado, num lugar onde só o silêncio responde por mim e todos. Um silêncio que é quebrado pelo vento, e tranquilizado pelo barulho da cachoeira. Lá poderei viver em paz, respirar um ar puro e viver completamente só.
Assim poderei me conhecer e só assim eu verei como era, fui e ainda sou. Quero poder enxergar aquela pessoa antiga, porque hoje sou uma pessoa nova, sem rumo. Mas ainda à uma pessoa dentro de mim, aquele tipo de apaixonado, hoje eu me sinto como um adolescente. Apaixonado, como se fosse a primeira vez. Mas sei que não é, mas posso fazer dela como a primeira paixão duradoura. A primeira que eu mergulhei de cabeça e não me afoguei. Fazê-la como de um objeto raro, preservá-la. Com meu carinho vou cuida assim como deve ser cuidada.
E no crepúsculo, vejo que minha sombra se esvai e a escuridão chega. Trazendo o sombrio da noite e me encontrando ao reflexo da lua verei que estarei te esperando novamente, se a noite puder te guardar onde possa te ver? Parado enfrente de um lago cristalizado pela lua vejo um corpo se formando no meio dele, olho refletidamente e vejo que é você voltando da escuridão pra mim. Vejo você vindo ate a mim, mas quando você sai do lago desaparece. Tento te procurar, mas não consigo porque esta escuro. Comecei a caminha no escuro sozinho. Ouço passos, mas não vejo ninguém. Paro e sento numa pedra próxima. Reflito no que já conquistei até agora, e vejo que nada. Oh, solidão, eu não consigo me afastar de você. Quando esse buraco no meu coração vai ser remendado? Quem agora está sozinho, além de mim? Será que esse alguém pensa em mim? Ou serei esquecido, e guardado num baú?
Escuto alguém sussurrar uma melodia "when the cats come out the bats come out to playy Yeahhy in the morning after dark".
Eu o vejo novamente tento lhe chamar, mas quando penso em chamar sua atenção eu me pego num devaneio repentino. E me deparo numa sala toda branca onde só existe eu, amarrado numa blusa branca eu fico preso por horas, sem você eu percebo que não sou nada. E nessa sala percebo que me cinto bem melhor.